
Padrão Comportamental Beheca
Beheca não fala, emite respostas verbais vocais
Beheca não fica de mal, põe em extinção
Beheca não rodeia, exagera nos autoclíticos
Beheca não troca as bolas, generaliza
Beheca não dá toque, emite regras
Beheca não tem semancol, discrimina
Beheca não puxa orelha, apresenta estimulação aversiva
Beheca não dá exemplo, dá modelo
Beheca não é sincero, é assertivo
Beheca não deprime, entra em desamparo
Beheca não dissimula, emite tatos com função de mandos
Beheca não seduz, faz aproximações sucessivas
Beheca não surpreende, libera reforço interminente
Beheca não finge, faz ensaio comportamental
Beheca não sente, emite comportamentos encobertos
Beheca não bate papo, emite intraverbais
Beheca não perde medo, dessensibiliza
Beheca não fica à perigo, sofre privação
Beheca não é bacana, é reforçador
Beheca não muda de vida, opera no ambiente
Beheca não pega no pé, libera reforço contínuo
Beheca não foge da raia, esquiva-se
Beheca não fica ferrado, está sobre contingências aversivas...."
(Autor desconhecido, Adaptação Giovana Del Prette - se alguém conhecer o autor, me fala!)
Resolvi postar essa definição aqui para demonstrar a complicação que é a vida do Beheca. Nós não acreditamos que mente existe, não achamos que sentimentos são causas, trabalhamos com probabilidades de respostas, questionamos conceitos como livre-arbítrio e subjetividade, explicamos o comportamento presente a partir das consequências futuras, condicionamos ratos e pombos e, só para complicar, temos um vocabulário próprio que ninguém usa no dia-a-dia e não se popularizou entre leigos. Ter fluência com esse vocabulário, ao longo do percurso de formação, é quase como aprender outra língua, e outro tipo de raciocínio.
Como consequência, somos taxados de uma porção de coisas: deterministas, cruéis, mecanicistas, simplistas, superficiais e por aí vai... Tanto por psicólogos de outras abordagens, quanto por outros profissionais. Um exemplo disso é a definição da terapia comportamental dada pela Super Interessante em Julho. O beheca que ler este post provavelmente já terá escutado frases como "Você tortura ratos?", "Coitado, tão legal, pena que é behaviorista...", "Seu paciente fala uma coisa legal e você bate palmas?".
A questão é: nunca ouvi alguém que conhecesse a fundo o behaviorismo fazer críticas como estas. O mais freqüente é o desconhecimento, ou o conhecimento equivocado, ou negarem-se a conhecer. Portanto, adotei algumas regras de ouro:
(1) Procuro criticar somente aquilo que conheço. Estudei bastante as outras abordagens durante a graduação, para criticar somente aquilo que ao menos tentei conhecer. Creio que alunos de graduação precisam experimentar um pouco de tudo, e decidir com base nessa experiência, com conhecimento de causa.
(2) Não discuto com quem faz críticas sem embasamento. É como já afirmei algumas vezes: "Seria como um físico e um poeta tentarem discutir as estrelas. Estão falando de coisas diferentes."
(3) Somos parcialmente responsáveis pelo preconceito contra o beheca. Nossa linguagem é chata, nós somos metódicos, sistemáticos e muitas vezes gastamos tempo tentando provar aos outros o que não somos ao invés de falar sobre coisas atrativas, traduzindo de um jeito bem simples e interessante.
É ESSE O INTUITO DESSE BLOG!!




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